Coronavírus – Entre valores

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A resident wearing a protective mask rides a bicycle past closed shops in a deserted street of central Codogno, southeast of Milan, on March 11, 2020 a day after Italy imposed unprecedented national restrictions on its 60 million people Tuesday to control the deadly COVID-19 coronavirus. (Photo by Miguel MEDINA / AFP)

O mundo está frente a uma situação que influencia milhares de vidas, trazendo reflexões e exigindo mudanças, com impactos a curto, médio e longo prazo, além de afetar, simultaneamente, diversos setores da sociedade.

Em nossa história tivemos a trágica “gripe espanhola” que nos traz algumas similaridades com a atual pandemia, com sintomas de febre, dor no corpo, coriza, tosse (na maioria dos casos) e nos casos mais graves apresentava problemas respiratórios. Também se espalhou rapidamente, atingindo números catastróficos (inclusive com relatos que apontam que lugares que desrespeitaram indicações de especialistas de evitar aglomerações, tiveram um maior número de contaminados). Naquela época, assim como hoje, não havia medicamentos e vacinas para combater o vírus, sendo utilizado o distanciamento social como uma tática para a redução da mortalidade e na mitigação dos impactos econômicos.

Atualmente, o isolamento social tornou-se ponto de discussão por ter reflexos na economia e no sistema de desabastecimento, tendo como ponto chave a cadeia de suprimento e logística. Muitos questionam a possibilidade de ausência de mão de obra em toda cadeia e falta de giro de capital por aquisição (compra), gerando assim, a falência de empresas. A preocupação foi reforçada com o fechamento das fronteiras, dando a ideia de isolamento das nações e trazendo a insegurança do comercio internacional, com indagações acerca das restrições na exportação. Entretanto, as previsões não foram confirmadas até o momento, visto que a maior dificuldade está ligada a falta de contêineres para transporte de cargas (pois encontram-se parados em países Asiáticos) devido à redução de saída de navios e não por bloqueio total das nações.

Todavia, o fechamento de fronteiras só se popularizou a partir do relato de pessoas presas em países assolados pelo vírus, com dificuldades de retorno à sua pátria, devido a complexidade da operação que envolveria legislação própria para o caso, translado, sistema de segurança e processo de quarentena.

O pânico gerado pela identificação do problema como pandemia, levou famílias a compra de recursos para estocagem afim de garantir o suprimento em meio a possibilidade de desabastecimento. Este fato acabou influenciando a cadeia devido ao aumento de demanda frente a produção e transporte, gerando impacto em valores. Houve então, a necessidade de implantação de medidas de controle de preços e quantidades no ato da venda, ainda que não houvesse desabastecimento pela crise, mas em consequência do pânico.

Na verdade, os impactos relacionados ao isolamento terão suas consequências em diversos setores sociais. Entretanto o mecanismo será imprescindível para a definição do tempo de duração da pandemia evitando perda mão de obra e clientes, seja temporariamente (doença ou luto) ou definitivamente (morte). Cientes disso, muitos empresários adotaram medidas para redução dos impactos sociais através de doações financeiras, de recursos ou serviços, suprindo demandas na área da saúde ou viabilizando ações governamentais em prol da população.

A sociedade foi forçada a se isolar em uma autoanálise e externar maneiras para sobreviver em meio ao combate. Sua essência tem sido evidenciada por ações que visam interesse particular através do sacrifício alheio ou o próprio sacrifício em prol do próximo. Podemos notar empresários que ameaçam demitir os funcionários que insistirem no isolamento, por outro lado, há aqueles que mudaram sua produção padrão para fabricar recursos para doação (produtos, equipamentos) ou mesmo valores na tentativa de amenizar os impactos na sociedade. Restando apenas uma dúvida: se ambos estão no mesmo risco econômico, então o que os diferem?

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Douglas Sant'anna
Nascido em Resende/RJ, Douglas Sant’ Anna da Cunha, 34 anos, casado e pai de um menino, foi militar na Academia Militar das Agulhas Negras/RJ onde serviu no Curso Básico em 2003 e logo em seguida, ao sair das forças armadas, se especializou em logística através de cursos, chegando a graduação. Iniciou suas atividades em prol das populações vulneráveis, envolvido em Projetos Sociais ainda em seu município. Em 2011, extremamente mobilizado e já habilmente capaz em sua área, rumou à Teresópolis /RJ onde participou dos processos de atendimento às vítimas do que foi considerado o maior desastre natural do Brasil. No triste episódio de 2011, Douglas testou seus conhecimentos e, enfrentando inúmeras dificuldades em relação à grandiosidade e complexidade do evento, decidiu que a partir daquela data, sua missão seria difundir a Logística Humanitária no mundo. A partir daí, Douglas se embrenha em pesquisas e cursos internacionais para seu aperfeiçoamento. No ápice de seus estudos e pesquisas, criou o projeto do Centro LOGÍSTICO DE AJUDA HUMANITÁRIA que cita a metodologia correta para o caso de atendimentos às vítimas de Desastres Tecnológicos ou Naturais, TORNANDO EM LIVRO E SENDO LANÇADO NA CIDADE DE MARIANA/MG NO DIA 05 DE NOVEMBRO DE 2018 (3 anos após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana). Dentre outros, atuou ainda em outros grandes desastres naturais em nosso país: no episódio das enchentes em Vitória/ES (2013), rompimento da barragem de rejeitos em Mariana/MG (2015) e, recentemente, em Brumadinho/MG (2019) também por rompimento de barragem, e atualmente se tornou colunista de jornal com grande rotatividade na região de Ouro Preto e Mariana. Houveram outros tantos convites nacionais e/ ou internacionais para suas atuações que foram recusados devido à falta de recursos próprios, pois atua como voluntário. Entretanto, não se eximindo de sua missão, quando não pode estar presente, utilizou-se de sua influência para atender às demandas das vítimas, colocando-se à frente de campanhas de arrecadação de donativos como por exemplo: para Angra dos Reis/RJ, para Cubatão/SP e para Teresópolis/RJ, em um segundo momento. Certo da importância em difundir seus conhecimentos em prol do bem comum, passa atuar ora como palestrante, ora como consultor de diversas Instituições como escolas particulares, seja para alunos particulares em Resende ou para outras Instituições como Anjos da Montanha (Itatiaia/RJ) juntamente com representantes da Defesa Civil Municipal de Resende, Simpósio Internacional de Medicina de Emergência, Toxic, Reanimação e Desastres, que ocorreu no México e mais recente no Seminário de Ações em Grandes Desastres em São Paulo a convite da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), entre outros. Douglas continua se especializando e difundindo suas ideias e conhecimentos em prol das vítimas de desastres acreditando que o poder da natureza não escolhe classe social, etnia, religião, sexo e nem idade e que seu trabalho poderá possibilitar o "recomeço" das vítimas de forma íntegra e digna. Segundo ele, a logística humanitária só existirá com todos juntos e convictos de que somos apenas parte de uma engrenagem como o propósito do bem comum.