Home Opinião Ações Humanitárias O verbo voluntariar

O verbo voluntariar

0
O verbo voluntariar
Foto Ilustrativa: Rescue boats fill Tidwell Rd. as they help flood victims evacuate as floodwaters from Tropical Storm Harvey rise Monday, Aug. 28, 2017, in Houston. (AP Photo/David J. Phillip)

Normalmente, durante os desastres, a maioria das comunidades e/ou regiões vulneráveis são afetadas, obrigando ações imediatas (que podem ser minimizadas a partir de ações preventivas). Em todos os casos, haverá necessidade de profissionais de diferentes qualificações e conhecimentos que, nem sempre, a estrutura governamental é capaz de suprir. Desta forma, os voluntários desempenham papel significativo no processo desde a prevenção até a recuperação.

Apesar da necessidade de mão de obra ser evidente tanto no quantitativo quanto na diversificação de demandas a serem supridas, não é simples extinguir esta problemática mesmo tendo a solidariedade como gatilho, que via de regra, resulta na disponibilização de serviços voluntários. Entretanto, não é tão simples ingressar no processo para auxiliar nos desastres de forma técnica e, por este motivo, cria-se fracionalização da força e a pulverização de informações, constituindo serviços paralelos como diversos pontos de apoio e equipes técnicas independentes, ou ainda, ajuda humanitária por identificação como, por exemplo, a religiosa.

Os trabalhos independentes, sem integração entre si e com as demais forças, geram conflitos que podem afetar inclusive os atendimentos, resultando sobrecarga em um ponto e desabastecimento em outro, ou ainda a subutilização de equipamentos e profissionais aptos para determinadas empregabilidades.

Verifica-se que ainda há a dificuldade de compreensão de ambos os lados, seja daqueles que estão na gestão do processo ou para aquele que quer voluntariar, no que diz respeito ao entendimento do que é o serviço voluntariado. Elucidando as dúvidas, Shin e Kleiner (2003) define “ser qualquer pessoa que se oferece a um serviço sem uma expectativa de compensação monetária”.

Apesar do aumento de pessoas interessadas em contribuir com serviços voluntários de forma a atender determinadas regras e demandas, também encontramos aqueles que vão para fazer “o que querem” ou utilizar a circunstância apenas para auto promoção, e isso não é exclusividade de pessoas físicas, também de pessoas jurídicas que desempenham um interesse maior que a disponibilidade e com o único foco: marketing.

Na Europa, o papel do voluntariado é reconhecido de forma extremamente positiva há muito tempo. Em muitos países, o voluntariado foi institucionalizado em comunidades através da participação dos seus membros, inclusive na Alemanha, por exemplo, existem milhares de bombeiros voluntários (pois apenas as cidades com mais de 200 mil habitantes têm a necessidade de terem quarteis de bombeiros profissionais pagos e mantidos pelo poder público).

Já no Brasil, em menor escala, podemos citar diversos Estados que contam com os trabalhos de profissionais voluntários como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que apresentam um grande quantitativo de Bombeiros Voluntários que desempenham um papel crucial como na Europa, no sentido de proteção de suas comunidades.

A participação voluntária não deve ser exclusividade apenas daqueles que se sensibilizam com a causa, mas principalmente por aqueles que convivem com os riscos. Quando os desastres ocorrem em comunidades afetando a normalidade, consequentemente torna os cidadãos locais os primeiros a responderem aos impactos, seja de forma ativa auxiliando na evacuação e prestando atendimentos, ou de forma passiva acionando as unidades de emergência e aguardando os atendimentos.

Com isso, é notório a importância de ter as comunidades como aliadas das Defesas Civis, demonstrando a necessidade de estarem capacitadas, informadas e preparadas para enfrentar situações críticas, conhecendo as realidades, a operacionalidade e as responsabilidades dos atores envolvidos.

Previous article Vítimas invisíveis
Next article Nova edição do Comunidades Preparadas será realizada em São Pedro da Aldeia
Douglas Sant'anna
Nascido em Resende/RJ, Douglas Sant’ Anna da Cunha, 34 anos, casado e pai de um menino, foi militar na Academia Militar das Agulhas Negras/RJ onde serviu no Curso Básico em 2003 e logo em seguida, ao sair das forças armadas, se especializou em logística através de cursos, chegando a graduação. Iniciou suas atividades em prol das populações vulneráveis, envolvido em Projetos Sociais ainda em seu município. Em 2011, extremamente mobilizado e já habilmente capaz em sua área, rumou à Teresópolis /RJ onde participou dos processos de atendimento às vítimas do que foi considerado o maior desastre natural do Brasil. No triste episódio de 2011, Douglas testou seus conhecimentos e, enfrentando inúmeras dificuldades em relação à grandiosidade e complexidade do evento, decidiu que a partir daquela data, sua missão seria difundir a Logística Humanitária no mundo. A partir daí, Douglas se embrenha em pesquisas e cursos internacionais para seu aperfeiçoamento. No ápice de seus estudos e pesquisas, criou o projeto do Centro LOGÍSTICO DE AJUDA HUMANITÁRIA que cita a metodologia correta para o caso de atendimentos às vítimas de Desastres Tecnológicos ou Naturais, TORNANDO EM LIVRO E SENDO LANÇADO NA CIDADE DE MARIANA/MG NO DIA 05 DE NOVEMBRO DE 2018 (3 anos após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana). Dentre outros, atuou ainda em outros grandes desastres naturais em nosso país: no episódio das enchentes em Vitória/ES (2013), rompimento da barragem de rejeitos em Mariana/MG (2015) e, recentemente, em Brumadinho/MG (2019) também por rompimento de barragem, e atualmente se tornou colunista de jornal com grande rotatividade na região de Ouro Preto e Mariana. Houveram outros tantos convites nacionais e/ ou internacionais para suas atuações que foram recusados devido à falta de recursos próprios, pois atua como voluntário. Entretanto, não se eximindo de sua missão, quando não pode estar presente, utilizou-se de sua influência para atender às demandas das vítimas, colocando-se à frente de campanhas de arrecadação de donativos como por exemplo: para Angra dos Reis/RJ, para Cubatão/SP e para Teresópolis/RJ, em um segundo momento. Certo da importância em difundir seus conhecimentos em prol do bem comum, passa atuar ora como palestrante, ora como consultor de diversas Instituições como escolas particulares, seja para alunos particulares em Resende ou para outras Instituições como Anjos da Montanha (Itatiaia/RJ) juntamente com representantes da Defesa Civil Municipal de Resende, Simpósio Internacional de Medicina de Emergência, Toxic, Reanimação e Desastres, que ocorreu no México e mais recente no Seminário de Ações em Grandes Desastres em São Paulo a convite da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), entre outros. Douglas continua se especializando e difundindo suas ideias e conhecimentos em prol das vítimas de desastres acreditando que o poder da natureza não escolhe classe social, etnia, religião, sexo e nem idade e que seu trabalho poderá possibilitar o "recomeço" das vítimas de forma íntegra e digna. Segundo ele, a logística humanitária só existirá com todos juntos e convictos de que somos apenas parte de uma engrenagem como o propósito do bem comum.

Deixe uma resposta