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Seca que queima vida

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Seca que queima vida
Foto: Incêndio no Parque Nacional de Bitterroot (E.U.A.). https://blogs.ei.columbia.edu/2014/10/13/what-do-wildfires-have-to-do-with-climate-change/

As secas, e consequentemente as queimadas, não são novidade nas causas de desastres, muito pelo contrário, são fenômenos que tem afetado vidas no passar dos anos em todo País e em diversos lugares do mundo. Inclusive, no Brasil, a seca é um fator importantíssimo na história da evolução da Defesa Civil Brasileira, pois foi em função das grandes secas na região Nordeste e cheias na região Sudeste (na década de 60) que o governo brasileiro criou o Ministério do Interior definindo suas funções nas áreas de resposta e atendimento as populações afetadas, não mais pela guerra, mas por desastres causados por inundações, secas e epidemias.

Este problema é um fenômeno ambiental com consequências negativas, como a aceleração do êxodo rural da população afetada, gerando impactos econômicos, sociais e políticos. As necessidades dos afetados passam pela distribuição de recursos naturais, sobretudo de água, tornando inviável a permanência para a porção mais pobre da população além da garantia dos direitos mínimos nestas localidades. Este ano a seca ameaçou a vida de 15 milhões de pessoas no Chifre da África (Quênia, Etiópia e Somália), a escassez de chuva deixou 7,6 milhões de pessoas em risco de fome extrema.

Quando falamos de seca no Brasil nos remetemos a região Nordeste, realmente lá está localizado 50% deles, entretanto, em segundo lugar vem a região Sudeste com 26,91%. No final da estação de seca (este mês), a Defesa Civil Estadual de Minas gerais apresentou projeto afim de garantir água às famílias da zona rural de 64 municípios mineiros, investindo R$ 4,8 milhões nesta operação.

Desta forma, podemos notar que em nosso país temos períodos bem marcantes na vida de nossa população, seja das águas ou da seca, afetando de forma gravíssima seu cotidiano, podendo se agravar às situações trágicas, com vítimas fatais.  São períodos que exigem medidas preventivas, ações de resposta rápidas, sistemas de minimização de impactos, planos de contingência eficazes, preparo das equipes e da população, além de informações precisas e seguras.

Normalmente vemos uma preocupação grandiosa para o período das chuvas e não tão relevante para a de seca, entretanto este fenômeno traz problemas seríssimos como: diminuição dos níveis dos rios e lagos comprometendo o abastecimento de água e energia em algumas localidades e podendo afetar a saúde; risco de erosões; comprometimento da produtividade e cultivo das plantações; impactos na criação de animais; aumento das queimadas e incêndios florestais.

A situação das queimadas é tão complexa que o Brasil atingiu a marca dos 102.786 focos, equivalente ao número registrado em 2012. Além do Brasil, o mundo arde em queimadas como as florestas na Rússia, na Ásia e na África. Apenas no primeiro semestre já foram mais de 5.577 incêndios no Estado mineiro, o que representa aumento de 32% se comparado no mesmo período do ano passado (lembrando que o período de seca na região Sudeste normalmente vai de abril a setembro). Este ano os focos de incêndios chegaram a 87% a mais do que o ano passado e teve como protagonista nas mídias o caso da Amazônia, gerando implicações políticas, econômicas, climáticas etc.

Os fenômenos estão ligados diretamente a crise climática que afeta os padrões de chuvas em diversas regiões, tornando as temporadas de secas mais severas e colocando em perigo a vida de milhões de pessoas.  Estes eventos são alimentados pela ambição econômica, imposição cultural e até mesmo pelo ciclo de ocorrências sem a devida reconstrução, impulsionado pela lentidão e ineficácia nas ações para mínimas estes impactos, além do repetido atraso histórico nas execuções de programas de Defesa Civil.

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Douglas Sant'anna
Nascido em Resende/RJ, Douglas Sant’ Anna da Cunha, 34 anos, casado e pai de um menino, foi militar na Academia Militar das Agulhas Negras/RJ onde serviu no Curso Básico em 2003 e logo em seguida, ao sair das forças armadas, se especializou em logística através de cursos, chegando a graduação. Iniciou suas atividades em prol das populações vulneráveis, envolvido em Projetos Sociais ainda em seu município. Em 2011, extremamente mobilizado e já habilmente capaz em sua área, rumou à Teresópolis /RJ onde participou dos processos de atendimento às vítimas do que foi considerado o maior desastre natural do Brasil. No triste episódio de 2011, Douglas testou seus conhecimentos e, enfrentando inúmeras dificuldades em relação à grandiosidade e complexidade do evento, decidiu que a partir daquela data, sua missão seria difundir a Logística Humanitária no mundo. A partir daí, Douglas se embrenha em pesquisas e cursos internacionais para seu aperfeiçoamento. No ápice de seus estudos e pesquisas, criou o projeto do Centro LOGÍSTICO DE AJUDA HUMANITÁRIA que cita a metodologia correta para o caso de atendimentos às vítimas de Desastres Tecnológicos ou Naturais, TORNANDO EM LIVRO E SENDO LANÇADO NA CIDADE DE MARIANA/MG NO DIA 05 DE NOVEMBRO DE 2018 (3 anos após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana). Dentre outros, atuou ainda em outros grandes desastres naturais em nosso país: no episódio das enchentes em Vitória/ES (2013), rompimento da barragem de rejeitos em Mariana/MG (2015) e, recentemente, em Brumadinho/MG (2019) também por rompimento de barragem, e atualmente se tornou colunista de jornal com grande rotatividade na região de Ouro Preto e Mariana. Houveram outros tantos convites nacionais e/ ou internacionais para suas atuações que foram recusados devido à falta de recursos próprios, pois atua como voluntário. Entretanto, não se eximindo de sua missão, quando não pode estar presente, utilizou-se de sua influência para atender às demandas das vítimas, colocando-se à frente de campanhas de arrecadação de donativos como por exemplo: para Angra dos Reis/RJ, para Cubatão/SP e para Teresópolis/RJ, em um segundo momento. Certo da importância em difundir seus conhecimentos em prol do bem comum, passa atuar ora como palestrante, ora como consultor de diversas Instituições como escolas particulares, seja para alunos particulares em Resende ou para outras Instituições como Anjos da Montanha (Itatiaia/RJ) juntamente com representantes da Defesa Civil Municipal de Resende, Simpósio Internacional de Medicina de Emergência, Toxic, Reanimação e Desastres, que ocorreu no México e mais recente no Seminário de Ações em Grandes Desastres em São Paulo a convite da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), entre outros. Douglas continua se especializando e difundindo suas ideias e conhecimentos em prol das vítimas de desastres acreditando que o poder da natureza não escolhe classe social, etnia, religião, sexo e nem idade e que seu trabalho poderá possibilitar o "recomeço" das vítimas de forma íntegra e digna. Segundo ele, a logística humanitária só existirá com todos juntos e convictos de que somos apenas parte de uma engrenagem como o propósito do bem comum.

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