Marinha e Ibama discordam de pesquisadores da Ufal e UFRJ sobre óleo no nordeste

Após três semanas de processamento de imagens do satélite europeu Sentinel-1A, o pesquisador Humberto Barbosa, do Lapis, identificou o enorme vazamento de óleo, ao sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado.

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Marinha e Ibama discordam de informação de pesquisadores da Ufal e UFRJ sobre óleo no nordeste
Pesquisadores apontam o que poderia ser o ponto inicial do vazamento de óleo no litoral nordestino FOTO: reprodução/lapis

A Marinha e o Ibama lançaram notas explicativas, nesta quarta-feira (30), rebatendo a informação de pesquisadores das Universidades Federal de Alagoas (Ufal) e do Rio de Janeiro (UFRJ) que detectaram um padrão característico de manchas de óleo no oceano, em formato de meia lua, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa da Bahia. A hipótese levantada pelos pesquisadores poderia apontar, em tese, o local de onde vem surgindo as manchas de óleo. 

A Marinha informou, em nota, que fez análises e descartou a relação com as manchas de óleo que poluem as praias do Nordeste. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse, na manhã desta quarta, em Belém (PA), que acha “difícil” que a mancha identificada tenha relação com os casos do Nordeste devido às características do óleo encontrado nas praias, que é mais pesado e não flutua na superfície.

“É muito difícil, porque é um óleo grosso, que se desloca por meio das correntes marítimas, mas que fica a ‘meia água’. Por conta disso, os radares e satélites não identificam as manchas. Mesmo visualmente, as nossas aeronaves têm dificuldade de identificar”, afirmou Silva.

Uma nota técnica do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) afirma que a análise da imagem descarta relação com as manchas de óleo. “(…) Não foi considerada uma feição suspeita de poluição por óleo pelos Analistas Ambientais, sendo apenas mais uma feição de falso-positivo, por não apresentar padrões texturais e técnicos apropriados”, diz um trecho da nota técnica.

Após três semanas de processamento de imagens do satélite europeu Sentinel-1A, o pesquisador Humberto Barbosa, do Lapis, identificou o enorme vazamento de óleo, ao sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado.

“Ontem tivemos um grande impacto, pois, pela primeira vez, encontramos uma assinatura espacial diferenciada. Ela mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar. Com isso, levantamos a hipótese de que a poluição pode ter sido causada por um grande vazamento em minas de petróleo ou, pela sua localização, pode ter ocorrido até mesmo na região do Pré-Sal”, alerta Barbosa.

Ao G1, a Marinha disse que a mancha que estaria avançando pelo mar da Bahia identificada nas imagens de satélite não é de óleo. Segundo o Grupo de Avaliação e Acompanhamento do problema das manchas de óleo no Nordeste, para chegar a essa conclusão foram feitas quatro análises. Entre elas, a consulta a especialistas da Federação Internacional de Poluição por Petroleiros (ITOPF, na sigla em inglês), o monitoramento aéreo e por navios na região, além das imagens de satélite.

“É importante frisar que a gravidade, a extensão e o ineditismo desse crime ambiental exigem constante avaliação da estrutura e dos recursos materiais e humanos empregados, no tempo e quantitativo que for necessário”, diz trecho da nota da Marinha.

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