Conheça joinvilenses que criaram empresas com foco em sustentabilidade

Dentre os produtos estão pijamas, embalagens, bolsas e acessórios sustentáveis

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Lucas Bastos e Carla Enero abriram uma empresa que desenvolve embalagens com produtos sustentáveis
Lucas Bastos e Carla Enero abriram uma empresa que desenvolve embalagens com produtos sustentáveis (Foto: Salmo Duarte)

As preocupações com o meio ambiente têm levado cada vez mais empreendedores a buscarem soluções sustentáveis para seus negócios, além de criarem produtos que ofereçam ao consumidor a possibilidade de evitar uma produção maior de lixo. Em Joinville, este movimento cresce principalmente entre os jovens que abrem a primeira empresa e utilizam a tecnologia a favor da natureza.

A paixão pelas profissões e o desejo de fazer o bem a outras pessoas e ao meio ambiente andam de mãos dadas com Maria Augusta Gayoso. A jornalista e designer de moda, 29 anos, conseguiu perceber uma conexão direta com as temáticas que, em um primeiro momento, parecem não ter ligação.

Maria Augusta desenvolveu uma marca de pijamas sustentáveis lançada há pouco mais de uma semana em Joinville. Mas a sustentabilidade não se restringe apenas ao produto final. Toda a parte de produção dos pijamas Sonhos de Maria, desde a matéria-prima até a confecção, foi pensada de forma a não agredir o meio ambiente.

Os pijamas, totalmente brasileiros, são feitos de algodão elaborado em fazendas de produção familiar e sem adição de agrotóxicos na Paraíba.

Maria Augusta Gayoso lançou os pijamas sustentáveis neste mês em Joinville
Maria Augusta Gayoso lançou os pijamas sustentáveis neste mês em Joinville(Foto: Patrícia Della Justina )

“As pessoas se preocupam bastante com alimentação orgânica, mas não percebem muito em quem faz ou como são feitas suas roupas. Além disso, é utilizado muito agrotóxico para fazer roupas e muito plástico nas coisas de poliéster”. Destacou Maria.

A produção dos pijamas está atrelada ao propósito de vida da empreendedora. Por meio disso, ela incentiva a produção familiar, consumo consciente, além de se preocupar com a mão de obra e matéria-prima.

“Quem costura para a marca negocia o valor junto comigo. São valores justos, locais de trabalho confortáveis e humanos, diferente de grandes redes que exploram seus costureiros”.

Para incentivar o consumo consciente, os pijamas não seguem tendências de moda, mas sim um conceito conhecido como slow fashion. O termo se refere às produções em menores escalas e que têm mais durabilidade, para contrapor a fabricação de produtos em massa e estimular a conscientização de uso.

“Eu não acredito em tendência. Eu acredito que as pessoas devem vestir o que gostam e quando querem. A coleção é bem básica e para durar 2020 inteiro. Além disso, as pessoas podem vestir calça no verão e shorts no inverno, da maneira como elas se sentem mais à vontade e que elas possam a usar por muitas estações, pelo máximo de tempo possível”. Explica Maria.

A gente tem que pensar que tudo o que a gente consome, em algum momento vai para o lixo.

Para ela, as roupas são uma forma de comunicação. O fato de as pessoas passarem mais tempo no trabalho do que em casa, por exemplo, a faz pensar ainda mais em conforto.

Não é por ser pijama que não pode ser bonita. Você pode atender o entregador de pizza naturalmente”. brinca.

A venda dos pijamas é feita via online, por meio de redes sociais e entregas para todo o Brasil.

Empresa desenvolve embalagens feitas de algodão

A preocupação com o meio ambiente também levaram Lucas Bastos e Carla Enero a abrirem uma empresa que desenvolve embalagens feitas de algodão, mel, resina de árvore e óleo de coco e de cera de carnaúba no lugar do mel.

Casal de joinville criou embalagem sustentável que substitui plástico
Casal de joinville criou embalagem sustentável que substitui plástico(Foto: Salmo Duarte)

Elas são uma alternativa sustentável ao plástico filme e ao papel alumínio, e tem durabilidade de um ano. Depois,em contato com a terra, se de compõe rapidamente. Com elas, o casal de Joinville já se tornou destaque nacional.

“Uma pesquisa recente mostrou que 32% dos consumidores de artigos de beleza e higiene já procuram produtos que tenham uma conotação de sustentabilidade, desde sua origem, na matéria-prima, até as embalagens. Um processo de fabricação que utilize menos recursos naturais, e quanto utiliza, são recursos renováveis, acabam sendo preferência para estes consumidores”. Analisa o engenheiro ambiental Wellington Baldo.

Moda para fazer a diferença

Para a joinvilense Ana Carolina de Liz, ressignificar é um verbo importante. Há quatro anos, ela transforma peças que seriam descartadas e passariam anos no meio ambiente sem nenhuma utilidade.

Ana se preparava para voltar ao mercado de trabalho depois de passar cinco anos dedicada exclusivamente à criação das filhas, quando decidiu que não teria apenas um trabalho: também faria a diferença.

A marca que ela criou produz bolsas e acessórios a partir de resíduos da indústria têxtil de Joinville e região. Com o reaproveitamento de tecidos feito por Ana Carolina, ela calcula que já evitou que pelo menos duas toneladas de resíduos chegassem ao aterro sanitário de Joinville.

A marca criada por Ana Carolina produz bolsas e acessórios a partir de resíduos da indústria têxtil
A marca criada por Ana Carolina produz bolsas e acessórios a partir de resíduos da indústria têxtil (Foto: Joyce Furtado/divulgação)

Assim como Lucas e Carla, a artesã viu seu projeto pessoal, feito apenas em parceria com a mãe, ganhar destaque rapidamente por cumprir a cadeia da sustentabilidade.

Em novembro, ela será a única catarinense a expor seus produtos na Brasil Eco Fashion Week, evento que é considerado o maior encontro de moda e sustentabilidade da América Latina.

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