Nuvem de gafanhotos pode chegar ao Brasil

Fronteira gaúcha recebeu o alerta sobre o avanço dos insetos. A nuvem é monitorada desde o dia 28 de maio de 2020

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Nuvem de Gafanhotos pode chegar ao Brasil

Uma nuvem de gafanhotos que já atingiu lavouras no Paraguai e Argentina na terça-feira (23) pode chegar ao território brasileiro, ameaçando plantações e pastagens do Sul do país. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), o risco dos insetos chegarem até o Paraná é mínimo. Seria preciso ocorrer uma mudança muito brusca na rota dos gafanhotos. Atualmente, eles seguem em direção ao Uruguai e, no Brasil, seria mais provável uma passagem pelo Rio Grande do Sul. 

O pesquisador da área de entomologia do IDR-PR, Rodolfo Bianco, explica que as nuvens de gafanhotos se formam porque esses insetos costumam ficar juntos. “É comum a convivência com eles e há métodos de controle satisfatórios para evitar prejuízo nas lavouras. Dessa vez, por ocorrências do clima que favoreceram a multiplicação, houve um evento que chamou a atenção de todos, pela grande concentração. Mas, já desmentindo as fake news, não há nenhum castigo divino em andamento”, brinca o pesquisador.

Bianco também aponta que já há um monitoramento no Rio Grande Sul e, dificilmente, os gafanhotos deixarão algum estrago se chegarem ao país. “Não creio que haja muita resistência dessa espécie aos agrotóxicos. Geralmente, são produtos de baixa concentração que já resolvem o problema, caso haja algum ataque às plantações”, disse. No entanto, ainda de acordo com o pesquisador, o melhor combate não são os pesticidas, mas o controle antecipado, quando os gafanhotos são jovens e ainda não voam. “Poderia ter ocorrido no Paraguai. Porém, é difícil prever que esse tipo de evento ocorreria”, apontou. 

O COORDENADOR DO PROGRAMA NACIONAL DE GAFANHOTOS DO ÓRGÃO, HÉCTOR MEDINA, AFIRMOU QUE A NUVEM SE MOVEU QUASE 100 QUILÔMETROS EM UM DIA POR CAUSA DAS ALTAS TEMPERATURAS E DO VENTO.

O especialista enfatizou que é um gafanhoto sul-americano. A nuvem pode provocar danos e que a “manga” das características que foram monitoradas em um quilômetro quadrado tem até 40 milhões de insetos.

Uma “manga” de um quilômetro quadrado pode comer o mesmo que 35 mil pessoas ou pelo menos duas mil vacas/por dia, afetando principalmente pastagens e campos nativos, explicou Medina. 

O professor Ângelo Parise Pinto, do Departamento de Zoologia da UFPR, explica que essa espécie causadora da imensa nuvem de insetos é a do gafanhoto migratório sul-americano (também Lagosta ou Langosta na adaptação para o espanhol do nome científico). Ao todo, no mundo, há seis mil espécies de gafanhotos, 20 delas com a característica migratória, com duas dessas últimas habitando a América Latina. “A explosão dessas nuvens acontece, com relativa frequência, no continente africano. Eles se alimentam de vegetais. Comem de tudo. Por isso, uma lavoura se torna um prato cheio”, revela o professor.

Quanto a possíveis ataques aos seres humanos, Parise diz que a espécie não carrega doenças, não pica e não se alimenta de carne, por exemplo. “As nuvens não oferecem risco direto ao ser humano. Somente o indireto, com um possível impacto financeiro que os produtores possam sofrer. Mas, geralmente, é algo controlável”, afirma, lembrando que o convívio das pessoas com insetos é inevitável. “Os insetos são os mais bem sucedidos no planeta. De todas as espécies que vivem no mundo, 70% são espécies de insetos”, finaliza Parise.

Chuva deve inibir migração de gafanhotos

A partir de quinta-feira, dia 25 de junho, o avanço de uma grande frente fria vai provocar vários temporais na Região Sul do país. De acordo com a engenheira agrônoma da Climatempo, Tatiane Cravo, a chuva e as baixas temperaturas inibem a migração dos gafanhotos. Por isso, mesmo que eles consigam chegar às localidades produtoras, serão em menor número e não devem causar grandes perdas para a agricultura. 

Na sexta, no sábado e no domingo, a entrada de uma forte massa de ar frio de origem polar vai provocar geada em amplas áreas do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina, que poderão registrar mínimas abaixo dos 5°C.

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