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Manchas de óleo reaparecem em praias de Aracaju no Sergipe

Substância foi encontrada nas praias da Atalaia e Cinelândia em Aracaju, no Sergipe.

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Movimento Praia Limpa, em Aracaju — Foto: Cléverton Macedo/TV Sergipe

Na manhã deste sábado (26), o litoral de Aracaju, no Sergipe, voltou a registrar as manchas de óleo, que desde o dia 24 de setembro chegaram ao estado, desta vez a substância foi vista nas praia da Cinelândia e Atalaia, na Zona Sul da capital.

Por volta das 6h30, o médico Rodrigo Costa fazia caminhada quando percebeu a substância na área da praia. “Corri 5km e em todo o percurso não dei um passo que não pegasse óleo. O que mais assusta não são as manchas grandes, são as pequenas, impossíveis de limpar. Muito triste. O meu tênis ficou com o solado cheio do óleo e vai para o lixo”, lamentou.

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Óleo grudou no solado do tênis do médico Rodrigo Costa, em Aracaju — Foto: Rodrigo Costa

Na Praia da Atalaia, o número de banhistas era pequeno nas primeiras horas da manhã. Quem foi, reclamou do cheio do petróleo. Alguns turistas usaram um pano no rosto para diminuir a sensação do odor.

Diante do desastre ambiental, o projeto Praia Limpa, que existe em Sergipe há mais de um ano, mobilizou muitos voluntários pelas redes sociais e atraiu dezenas de pessoas. Como o petróleo cru é tóxico e o odor é forte, todos tiveram de usar equipamentos de proteção individual com luvas de silicone e máscaras.

Uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju também se somou e trouxe alguns equipamentos de proteção para distribuir com os voluntários.

Foi assinada nesta sexta-feira (25), em Aracaju, uma carta à sociedade brasileira relatando o impacto do derramamento de óleo no litoral nordestino. O documento foi elaborado por representantes de mais de 80 comunidades, que dependem diretamente ou não com a pesca.

O assunto foi tema de uma audiência pública organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), através da Comissão de Direitos Humanos, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Em Sergipe, todas as 17 praias sergipanas foram afetadas e também apresentaram reaparecimento das manchas após serem limpas.

Segundo o presidente da OAB/SE, Inácio Krauss, o encontro serviu para ouvir e debater possibilidades para diminuir os impactos nessas comunidades.

Ao todo, o óleo ainda atingiu 200 localidades nos nove estados do Nordeste. Somente na capital sergipana, já foram recolhidas mais de 231 toneladas da substância.

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Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo

Ampliação do pagamento do Defeso

O presidente da República em exercício, Davi Alcolumbre, assinou um decreto da tarde desta quinta-feira (24), durante visita a Aracaju, que determina ampliação do pagamento do auxílio defeso, destinado aos pescadores das localidades afetadas pelas manchas de óleo no litoral sergipano. O anúncio foi realizado durante uma reunião com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, e representantes dos órgãos que atuam no combate ao avanço do óleo.

Aplicação de recursos federais

Após liberação de recursos do governo federal no valor de R$ 2,5 milhões representantes da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional se reuniram, na manhã desta terça-feira (22), para discutir como empregar o dinheiro. O encontro foi realizado na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do Estado (Sedurbs), em Aracaju.

Com o recurso, entre as medidas a serem adotadas está a contratação de uma empresa para limpeza dos locais atingidos pelo óleo. Além da disponibilização de 500 kits com luvas, óculos, sacos plásticos, e outros equipamentos de proteção individual que devem chegar ao estado ainda esta semana.

Liberação de recursos

Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), autorizou, na segunda-feira (21), o repasse de R$ 2,5 milhões para o estado de Sergipe utilizar na limpeza das praias afetadas pelo derramamento de óleo.

O estado decretou situação de emergência no dia 5 de outubro, que foi reconhecida pelo governo federal 10 dias depois, para as cidades de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Brejo Grande, Estância, Itaporanga D’Ajuda, Pacatuba e Pirambu. Já no dia 17, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil da Secretaria de Estado da Inclusão Social solicitou R$ 22 milhões para restabelecer a costa sergipana.

Segundo o Ministério, os recursos federais poderão ser utilizados pelo em serviços complementares para limpeza do litoral, viabilização de pontos estratégicos de coleta e transporte do material. A expectativa é que mais repasses sejam autorizados para outros estados, de acordo com o recebimento das solicitações.

Reforço da contenção

Entre as medidas definidas nos relatórios pelos órgãos ambientais na quinta-feira, está a instalação de mil metros de boias em locais que ainda estão sendo analisados como prioridade. O material que deverá ser instalado em pontos estratégicos de Sergipe foi disponibilizado pela Petrobras. Um outro ponto discutido durante a reunião foi o risco da colocação de boias para a navegação nos rios do estado.

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Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju — Foto: Adema/Divulgação

Polêmica sobre as barreiras

No último dia 12, o governo sergipano iniciou, no rio Vaza-Barris, a instalação de barreiras alugadas pelo valor de quase R$ 7 mil por dia. A administração estadual esperava que a Petrobras pudesse enviar equipamento de proteção para conter a mancha, mas as barreiras de proteção não chegaram.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que veio a Aracaju no dia 7 de outubro para avaliar a situação, afirmou, no dia 14, que iria cumprir a determinação da Justiça Federal e colocar as barreiras de contenção em rios de Sergipe, mas alegou que elas não seriam eficientes para conter as manchas de óleo. O Ibama seguiu a afirmação. Já a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), disse que a escolha pelo material ocorreu com avaliação técnica e que a eficácia é comprovada.

Análise das manchas

No dia 16, Ricardo Salles, esteve no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no município de São Cristóvão (SE) onde se reuniu com o professor do Departamento de Química e coordenador do laboratório de Petróleo e Biomassa, Alberto Wisniewski Jr., responsável pela análise do óleo coletado nas praias do litoral sergipano.

“A opinião do que nós vimos aqui é a hipótese de que esse óleo dos barris tenha relação com o óleo encontrado nas diversas manchas encontradas no litoral. E que, portanto, dão mais um elemento para a investigação que está sendo muito bem feita pela Marinha do Brasil, sobre a origem desse fato que é o derramamento de óleo no litoral”, disse o ministro.

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